O lado fatal

Um amor proibido e julgado. Um encontro entre almas.

Tudo aconteceu na década de 80, quando a escritora Lya Luft “largou” os filhos e o marido em Porto Alegre, rompeu com o conservadorismo em que vivia ao se apaixonar loucamente por Hélio Pellegrino, um dos maiores psicanalistas do seu tempo. Veio viver essa paixão fulminante no Rio de Janeiro que, de forma igualmente fulminante, durou apenas três anos. Hélio enfarta numa tarde, sentado no sofá, e morre dizendo o nome dela.

Poderia ser ficção, mas não é. É história real.

Todas as vezes que leio esse livro, e já foram mais de dez, eu choro. E choro porque é um livro de dor, ainda que tenha sido escrito a partir do fundamento do amor.

O Dia dos Namorados é uma data gatilho para muitos pacientes. A vida cinza vira breu. E, ainda que seja uma data comercial e blá blá blá, é, sim, um dia importante de dor para quem viveu um grande amor.

E viver um grande amor é privilégio de poucos. Sustentar um grande amor dá trabalho. Viver o cotidiano de um grande amor exige renúncias. O amor é trabalhoso, ainda que seja delicioso. É sempre um risco, mas um risco que vale cada segundo do tempo passado ao lado de quem amamos.

E então acaba. De uma hora para outra. Num suspiro. No meio de uma tarde, sentado no sofá preferido.

Aproveite o seu amor como se fosse o último dia. Porque, um dia, pode realmente ser. E isso é mundo real, não ficção.

“Insensato eu estar aqui, é viva.

O rosto dele me contempla

vincado e triste no retrato sobre a minha mesa;

Em outro, sorri para, apaixonado e feliz.

Insensato isso de sobreviver

Vou à janela esperando que ele apareça e me acene com aquele seu gesto largo e generoso, que ao acordar esteja ao meu lado e que ao telefone seja sempre a sua voz…

Sobrevivo, mas pela insensatez. “

(Lya Luft)

Compartilhe:

Sobre a autora:
Erika Pallottino

Psicóloga especialista em Luto, Cuidados Paliativos e Psico-Oncologia