A gente acha que o luto mata tudo. E que mata a esperança.
Mas não mata. Não mata. A vida impera e é mais forte. A gente responde a ela.
O luto nos atropela, mas, com o que sobra, aos poucos, vamos nos reconstruindo. É assim com a maioria das pessoas. A gente volta. Volta a amar, a ter esperança e a acreditar. Não tem pausa, nem vírgula. Assim como é na vida.
É num suspiro que tudo muda. É em outro que a vida acontece.
Esperança é um sentimento, eu acho. E ele é feito de recomeços e mudanças.
Para respondermos à vida depois do luto, não tem jeito: precisamos mudar. Comportamentos, hábitos, sentimentos, rotina. Para isso, é necessário também arriscar. E acreditar.
O luto remove a luz. Digo remove porque move a luz para outro lugar. A gente não sabe mais onde ela está. Mas, se cavarmos, se vasculharmos, lá está ela: a luz. Da lua, do sorriso, do amor, do lugar que não deixou a gente desistir.
A resignação não é a saída, mas o desconforto talvez seja. Porque ele faz a gente querer sair daquele lugar.
O não acreditar que o luto nos traz também é movimento. Movimento de recusa diante da nova realidade.
E, para isso, precisamos fazer alguma coisa. E pequenas coisas são grandiosas. Voltar a sentir esperança é parte disso.
Pode demorar, mas, se alguém nos ajuda no caminho, pode ser mais fácil.
Eu não escrevo este texto teoricamente, mas do lugar de alguém que vive os seus lutos. Que também deixou de acreditar em algum momento. Essa é a humanidade do processo. O luto traz descrença, e é duro sentir isso. A vida tem gosto de vazio.
Mas este lugar também é o de quem não desistiu.
E que bom que, no caminho, havia esperança esperando por mim. Valeu a pena. Cada lágrima escorrida foi esperança renascida. E a gente nem sabe disso. Só depois que sobrevive.
E passa a agradecer todos os dias também pela dor, porque, sem ela, talvez não tivéssemos encontrado o caminho do amor. ♥️
“Os sonhos se realizam quando menos esperamos.”
Acredite.



