Uma parte sua morreu. É verdade, morreu pra sempre.
Existem dores que não são recuperáveis. Não existe curativo.
Não dói o tempo todo, mas quando a dor chega. Nossa. Ela arrebenta.
Arde. Queima. Quase enlouquece.
A vida deixa marcas que são mais do que as cicatrizes feitas de brasas. São como pele arrancada. Nada melhora a tal dor.
A dor tem a ver com tempos passados. Aonde tudo parecia estar no lugar perfeito.
O passado.
Ele nunca fica lá trás. Ele faz lembrar que o presente é meio rearranjado. Você cabia naquilo que, um dia, foi o seu lugar preferido no mundo. E você sabia, nunca duvidou. Mas acabou. Não existem palavras bonitas.
E você lembra. E não esquece. E por um tempo fica guardado. Mas de repente, pula, grita, te sacode e lembra : a vida boa era ali.
Você aceita porque não tem o que fazer. Mas ainda que, agora, seja dolorido, se pudesse viver de novo, viveria cada milímetro de segundo. A felicidade que existia ali nunca existirá em outro lugar.
Luto também é sobre isso. Luto é sobre tantas coisas. E a maioria delas não está mais. Elas se foram. É duro realizar o tamanho da perda, talvez você só consiga quando não se encontra mais em si mesmo. O luto é um esvaziamento.






